Minha melhor amiga disse na frente de todos “Sua festa será um FRACASSO porque você é alérgica a tudo”

Estava chegando meus 15 anos!

Minha única festa que considero Grande Momento.

Eu estava em plena crise alérgica, cheia de manchas no rosto e tossindo até dizer chega.

Minha vida com amigos estava em decadência, não queria nem ir ao cinema com medo das reações deles, porque com certeza teríamos que sair pra comer.

Eu sai de menina super animada da escola, falante e risonha para o status chata intolerante e alérgica.

Nos meus quase 15 anos e cheia de fantasias, estava inconformada com a atitude amigas próximas, nem podia imaginar como seria então com os outros convidados
Tínhamos um único compromisso que poderíamos chamar de balada, já que tínhamos pouca idade: as atraentes e glamurosas festas de 15 anos.

Eu me sentia uma deslocada. Era aquela que sabia tudo de maquiagem e como vestir em festas teen, mas não imaginava como seria possível eu ter a minha própria festa.

Eu queria inovar, fazer algo diferente, mas sempre me lembravam de como a festa de tal pessoa foi espetacular, super tradicional e que eu tinha que fazer igual, senão a minha não seria um sucesso.

A situação na escola que já não era boa, ficou pior em casa:
Quando você escuta dos seus pais que eles “querem ter uma conversa com você”, mesmo você tendo 14 anos, você já sabe o que está por vir…
“Por que vc não desiste disso?”
“Se você fizer a festa vai passar mal e vai estragar tudo”. Melhor não arriscar
“Na minha época, eu não tive festa de 15 anos e não morri, e pápápá, pápápa”.

Respeitei cada opinião. Mas dentro de mim eu sabia que tinha algo errado com esse pensamento. Pra não deixar meus pais preocupados e achando que tinham que fazer tudo sozinhos, quando tudo parecia perdido, fui lá, e comecei a pesquisar lugares, vi receitas, provei que eram deliciosas, fiz testes, vi que era possível sim fazer doces e salgados, até bolos de aniversário de andar, fiz orçamento, enviei e-mails, mandei para meus pais… me senti quase como uma “adulta”.
Fiz um cardápio de tudo aquilo que é possível fazer em festas, com o mesmo sabor, somente com ingredientes diferentes.

Convidei todos mesmo sem saber quem estava disposto a aparecer. Alguns faltaram sim, mas muitos estavam curiosos pra saber como seria, Ou até pra rir do meu fracasso
Mas surpreendi! Fiz a melhor festa da escola, com mesa de frutas, chocolates sem leite, bolo sem glúten, sucos e drinks decorados, muita musica e uma valsa maravilhosa. Todos ficaram surpresos com minha dedicação.

Pra meus pais, um alívio.

Pra mim, quase uma tortura porque eu tinha que fazer perfeito.

Hoje, não me lembro de quase nada da tortura que sofri nessa tentativa de agradar.

Não porque eu não quisesse agradar a todos, mas sim porque somos obrigados a seguir uma regra de fazer tudo igual ao das outras pessoas.
Porque nos achamos obrigados a seguir um sistema de aprovação social que sinceramente, está mais preocupado em fazer melhor que o outro do que incentivar as crianças e adolescentes a despertar a curiosidade e criatividade sem se sentir excluído de tudo.

Eu te pergunto: você realmente sabe o que é intolerância alimentar e quais os alimentos para alérgicos que são realmente horríveis de se experimentar?

Na verdade nossos pais se sentem limitados quando se trata de expor os filhos quando estes tem algum problema, seja alimentar, físico ou psicológico.

Alimentos são uma ótima maneira de reunir pessoas, então porque não experimentar e sair do preconceito que “sem glúten é ruim” Sem leite deve ser horrível”. Você não gosta de batata?
Não é a toa que as crianças e adolescentes alérgicos estão cada vez mais contraídos pois não tem opções de lazer que não envolva alimentos
O modelo industrial de alimentação que abre pacotinho não funciona mais
Está na hora de melhorarmos nossa visão dos alimentos e dar oportunidade ao novo
Está na hora de recuperarmos a valorização do extraordinário. Não o mediano.
Está na hora de recuperarmos a união dos amigos e familiares, respeitando o próximo. Não criarmos impossibilidades naquilo que convém ser “mais do mesmo”.

E você?

Qual é o PRECONCEITO ALIMENTAR que precisa mudar na sua vida?

Um forte abraço!
Ana Maria Sanches

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